Carta de uma mãe Lusitana

Querido filho,

Te escrevo estas linhas para que saibas que estou viva. Te escrevo devagar, porque sei que não consegues ler rápido.

Bom, não vai mais reconhecer a casa quando vieres, porque nós mudamos.

Finalmente enterramos seu avô. Encontramos o cadáver com esse negócio de mudar de casa. Estava no armário desde aquele dia que ganhou da gente brincando de esconde-esconde, há 8 anos!

Hoje tua irmã Manoela teve uma criança, mas como eu não sei se é menino ou menina, não posso dizer se você é tio ou tia. Quem não term mais aparecido por cá, é o tio Venancio, o que morreu totalmente o ano passado e também o teu primo Jacinto, que sempre acreditou ser mais rápido que um touro, descobriu que não era! Estou agora muito preocupada com o seu cachorrinho Rex, que insiste em perseguir os carros parados e está ficando cada vez mais chato.

Ah! Finalmente os engarrafadores de refresco tiveram a grande idéia de pôr um letreiro na tampinha que diz: "Abra aqui! " Que achas?

Ontem, teu irmão José, fechou o carro com a trava e deixou as chaves dentro. Teve que ir até a casa para pegar as chaves reserva e poder nos tirar de dentro do carro.

Esta carta lhe mando pelo Moreira, que vais para aí. Ó pá, será que podes buscá-lo no aeroporto? Chega aí depois de amanhã ás nove e meia. . .

Bom meu filho, não te escrevo o endereço de casa, porque eu não sei. É que a última família que aqui morou na casa, levou os números da porta, para não mudarem o endereço.

Se encontrares por aí a dona Feliciana, viúva do seu Antônio Peixeiro da cá, dá-lhe um alô de minha parte e se não a encontrares, não precisa lhe dizer nada.

De tua mãe que te ama,

Ps. Ia lhe mandar uns Cem Escudos e alguns Euros, mas já fechei o envelope.